terça-feira, 9 de junho de 2009

NOSSA FÉ SÓ TEM ROCHA, NÃO TEM PILAR…

Desde que o “Papo de Graça” entrou no ar que não tem me sobrado quase tempo nenhuma para responder cartas aqui no site. Respondo todos os dias, mesmo no dia que não respondo nada..., pelo menos umas 50 cartas consigo ainda “responder”; embora somente considere que estou trabalhando nas cartas na perspectiva do site, quando consigo responder uma carta que valha a pena postar, pois, a maioria respondo apenas mandando dezenas de links do site que já tratam exatamente do mesmo assunto.

Aliás, quem já esteve ou tem estado no “Papo de Graça” sabe que se há um lugar para tirar dúvidas em geral, não importando a natureza da dúvida, o lugar é o “Papo de Graça”, na Vem e Vê TV, todos os dias às 15:30.

Às vezes, exibiremos um documentário, e a seguir discutiremos o assunto no “Papo de Graça”. Tente participar.

Além de tudo isto [e de uma agenda que não me pede para sair de casa, mas trás à minha casa o mundo todo] terei que ir várias vezes ao Rio este mês e no próximo [coisas médicas e familiares], além de que talvez tenha de ir à Manaus também duas vezes: uma para acompanhar minha mãezinha em um pequeno procedimento de cateterismo, e, depois de uns dias, voltar para passar uma semana lá: pregando no “Caminho” e também cheirando a floresta, no meio do mato, pelo menos uns três dias, pois, posso morar fora do Brasil para sempre [se for necessário], mas longe da floresta não dá...

Por isto, peço que se possível você Pesquise os temas do e no site e veja se você mesmo se ajuda independentemente de eu conseguir ou não responder pessoalmente a sua carta.
Também imploro a todos que se registrem na Vem e Vê TV, pois, assim, ficaria imensamente mais fácil para mim responder muitas cartas... Falando é mais fácil e rápido do que escrevendo... Meus dedos estão doídos de tanto escrever...

De fato, se fosse possível, eu precisaria ficar um a dois meses sem teclar... Mas me é impossível.
Estamos desenvolvendo uma softerware “inteligente” que lerá todas as cartas que me forem enviadas e buscará no site similaridades temáticas ou de conteúdos, e, automaticamente enviará tais links às pessoas, com a recomendação de que escrevam outra vez apenas no caso de não terem sido atendidas nas questões que possuam.

Pedi ao Elmo, meu cooperador, que desenvolvesse esse softerware porque vejo que as pessoas não se servem do site, e de tudo o que nele existe, apenas por preguiça; ou pior: porque mesmo sabendo que no site há o que procuram, ainda assim não lhes servirá se a mesma coisa não lhes for dita direta e pessoalmente por mim... — o que, para o meu gosto, é fetichismo, e não necessidade de resposta...

No início da década de 90 alguém fez uma pesquisa sobre os “sonhos dos evangélicos”...

Respostas prevalentes: 1º sonho: encontrar pessoalmente o Caio; 2º sonho: passar um dia conversando com o Caio; 3º sonho: ir a Israel com o Caio.

Alguns vieram me contar o tal “sonho de muitos” como se aquilo fosse me lisonjear, mas, de fato, me apavorou...

Hoje, com os meios mais pessoais de que disponho para a comunicação, fica mais fácil dizer às pessoas que não deve ser assim, pois, eu mesmo não estou aqui para alimentar fetiches...
Uma vez, no ano de 99, no Domingo de Páscoa, a campainha de minha casa na Florida tocou às 5 horas da manhã... Abri e levei um susto: era meu amigo Guilherme Kerr, naquele tempo [acho que ainda hoje] morador de Boca Raton, na Florida.

Ele entrou... Conversamos e choramos... No fim ele me disse que aquilo tudo só estava grande como estava, porque eu criara e alimentara um “monstro de expectativas” a meu respeito, a começar nele, que disse que a decisão que eu tomara balançara uns dos pilares de sua fé, que, mesmo eu não sabendo, disse-me ele ser eu...

Eu sabia que a dor dele era grande... Sempre amei o Gui como amigo, embora, durante o tempo em que ele veio trabalhar comigo em 1985/86, de súbito, sem que até hoje ele tenha me explicado..., do nada ele disse que estava indo embora... E foi...

Agora, anos depois, estava ele ali, na minha frente, e com o poder sincero daquela dor...
Eu disse a ele que não havia alimentado monstro algum... Disse que as pessoas é que projetavam o que queriam em mim..., embora eu vivesse me desconstruindo aos olhos de todos, mas que, quanto mais o fazia, mais “eles” diziam: “Esse é o cara!”

Um pouco antes de ele ter estado comigo, a mãe dos meus filhos, àquela altura naturalmente muito magoada comigo, havia sonhado o seguinte sonho, embora já estivéssemos separados há quase 1 ano. Narrei o sonho aqui no site a primeira vez nos seguintes termos:

Em Janeiro de 1999 eu já estava separado conjugalmente da mãe de meus filhos há 10 meses. O mundo político também já havia desabado sobre mim — todo desabamento posterior foi aftershock.

Naquela ocasião ouvi o seguinte sonho a meu respeito e que me foi contado por alguém que à época estava passionalmente magoada comigo...
Por isto, o sonho ganhou ainda mais significado para mim.
Ela contou:

“Era uma praça européia, com cara de coisa antiga. Eu e duas amigas nossas [Sílvia e Cíntia] estávamos lá. Havia uma feira e muitas frutas. De súbito um alarido... A multidão correu. Uma grade alta impedia a passagem do povo para o pátio. Ao fundo um paredão de fuzilamento. Então entra você... Cinco de você. Você como eu te conheci aos 18 anos. Você aos 30 anos, alto, imenso, um gigante, só que no seu rosto havia um espelho; quem olhava para você enxergava a si mesmo. Você era o rosto de todos e todos viam seus rostos em você. Depois veio você como você hoje — janeiro de 1999. E depois de você com cara de hoje, veio você mais baixo, mais magro e muito mais sólido — apesar de sofrido... Por último veio você-seu-pai. Você velho, manso, sábio e pacificado. Vocês cinco foram levados para serem fuzilados. A praça se revoltava contra o ato. Eles apontaram para atirar. Mas você-de-hoje levantou a mão ao céu, exaltou o nome de Deus em palavras que ninguém entendeu, e trouxe a mão ao peito em solenidade. O que você não viu é que seu braço direito havia se tornado em espada e que atravessou seu coração. Uma criança ao meu lado chorava o choro de muitas gerações. E perguntava: Quem vai nos falar de esperança agora? Foi quando eu vi que você-hoje morreu para que você antes e você depois pudessem viver. Você vai ficar um velho sábio e pacificado” — ela concluiu.

Psicológica, histórica e existencialmente esse sonho tem sido profético para mim. E, à época, vindo de quem veio, pareceu-me tomado de total soberania.

Assim, voltando a quem sou e a quem não desejo ser para você, digo:
É minha decisão pedagógica e de natureza espiritual não permitir que me totemizem ou me fetichizem jamais...

O Senhor me salvou; salvou a minha vida e história de vida com e para Ele; sim, matando o “Caião dos Evangélicos” e, assim, me devolvendo a mim mesmo...; livre que fiquei de ser o “espelho mágico” dos “crentes”.

Quem anda aqui comigo, no site ou no “Caminho”, sabe que gosto de respeito e reverencia, o mesmo que dou a todos, e que é o mesmo que demando para mim; mas nada mais além disso...
Encher este site da quantidade e da qualidade de conteúdos que aqui há tem sido algo que poderia ser apenas a tarefa de minha vida, embora não seja, pois, antes de haver site eu já estava entregue à mesma pulsão de gerar conteúdos úteis ao crescimento na Graça para quem assim o desejasse.

A questão é que agora os conteúdos estão aí...
Portanto, não lê-los, e, ao invés disso, somente se sentir atendido se eu responder pessoalmente, não é algo sadio; pois, faz da minha miserável resposta algo como se fosse uma resposta à oração...
Ora, Deus me livre disso!...

Ora, o que eu sei é que se eu morresse agora, as pessoas sabendo que não haveria mais “respostas pessoais”, entregar-se-iam à leitura do site, tirando dele todo o proveito possível; e, talvez, crescendo muito mais do que fazem hoje, quando, não lendo o site, escrevem esperando que eu crie uma site de grife para cada um — com personalização ao estilo Banco Itaú Personalitê.

Essa fixação de From:_______ – To:________; ou ainda: De:________ - Para:____________..., é uma desgraça que tem feito muita gente deixar de ler o conteúdo, porque, no seu paganismo de “grife”, não consideram os conteúdos a menos que tenham sido produzidos para aquela pessoa...; ainda que eu tire do site tudo o que já disse a outros com o mesmo problema e apenas “cole” ali para aquela pessoa com sede de “grife”...

Ora, parece que a pessoa se satisfaz..., mesmo que haja conteúdos muitos mais amplos, práticos e próprios para a pessoa ler e crescer por si mesma.

Portanto, amigos, leiam o site.

Se eu partisse hoje o site seria meu legado mais consciente para quem deseja crescer na fé mediante aquilo que pela Palavra me tem sido dado.

Era isto que queria dizer a você no dia de hoje!...

E mais: faço com você o que faço com meus filhos; pois, entre nós sobra amor, mas cada um deles aprendeu a andar com as próprias pernas.

A satisfação de um pai é a emancipação e maturidade dos filhos!

Nele, que nos ensinou a continuar sem a fisicalidade de Sua presença, quanto mais sem a presença de qualquer um outro...,

Caio
5 de junho de 2009
Lago Norte
Brasília
DF