sábado, 10 de janeiro de 2009

Nova Reforma Não, Revolução do Evangelho Sim!

"Reformar o cristianismo nada muda, apenas se adia o comprometimento
radical que o Evangelho demanda. A própria Reforma Protestante foi um
remendo de pano novo em veste velha. E a tragédia embutida nisso é que
o cristianismo, uma tentativa vitoriosa do diabo de diminuir a loucura
da pregação e o escândalo da Cruz, manteve-se. O mundo não teve ainda a
chance de conhecer o Evangelho conforme as dinâmicas livres e
libertadoras do Caminho, segundo as narrativas dos evangelhos, nas
quais o único convite que existe é para seguir a Jesus.

O que os cristãos precisam saber é que Jesus não teve interesse em algo
que se assemelhasse à civilização cristã ou mesmo com a ' Igreja' como a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.

O cristianismo já é uma perversão, transformando o Evangelho puro e
simples numa religião com dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições
imutáveis, moral própria e muita barganha com os homens.
Pratica-se assim uma obra de estelionato contra o Evangelho de Cristo.
É difícil imaginar que Jesus tenha qualquer coisa a ver com o que nós
chamamos de 'Igreja', seja aquela que se abriga no Vaticano, ou sejam
aquelas que têm tantas sedes quantos pastores, bispos e apóstolos
megalomaníacos.

O ensino de Jesus,
inversamente, é caracterizado por desinstalação, mobilidade, liberdade
de aplicação sem legalismo, confiança do Semeador no poder da
semente-palavra, ênfase na igualdade de todos, denúncia dos poderes
religiosos e pertinência à vida. Na prática, isso significava a cura da
mente, do corpo e do espírito. Significava o anúncio da destruição do
Templo como lugar de Deus. Significava a beatificação de samaritanos e
a demonização de religiosos sem coração.

A coragem revolucionária que o Evangelho demanda de cada geração é aquela
que se lança ao vento e caminha pela fé, e que se dispõe a se deixar
reinventar conforme o espírito do Evangelho, posto que ele não propõe
uma religião, mas o Caminho. Isso significa que cada nova geração tem
que ter a coragem de vestir o Pano Novo do Evangelho no seu tempo e
beber o Vinho Novo do Reino em odres novos. Na hora em que milhões que
assim crerem passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem
pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá, sem sede, sem
geografia, sem dono, sem tutor e sem reguladores da fé.

Não creio em reformas. Creio, sim, numa Revolução do Evangelho que só
incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do
cristianismo e abraçar o risco de apenas andar conforme a revelação da
Graça de Deus em Cristo, conforme a Palavra do Evangelho. Tal fé é
incompreensível pelas mentes viciadas no cristianismo e é
desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical
cristão"

Caio Fabio