quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia Internacional da Mulher

Os cristãos creem que Deus se fez gente e habitou entre nós. Poderia ter se tornado homem por meio da assunção de um biótipo divinamente idealizado, ou quem sabe poderia ter surgido como um alienígena divino travestido em alguma paramentação judaica, ou quem sabe um ente a partir do nada, uma "creatio ex nihilo", um plasma humano, misteriosa e repentinamente radicado entre os homens. 

Mas não foi assim. Ele assumiu a nossa humanidade, tornando-se um de nós. Permitiu-se abrigar no ventre de Maria, estabelecendo com ela vinculo umbilical e dela dependendo desde o estágio embrionário. Aprendeu a balbuciar as primeiras palavras, a arriscar os primeiros passinhos, a ingerir a primeira papinha, enfim, aprendeu tudo que um filho pode aprender de uma mãe, embora manifestasse ciência de que era o verbo, o filho de Deus encarnado. 

Embora José fosse homem bom, Deus simplesmente prescindiu dele no ato gestacional. Deste modo, não deixou de elevar a mulher ao status de genitora coadjuvante do Deus-homem entre nós. 

Em uma sociedade milenarmente patriarcal, oportunamente Deus eleva a mulher, mostrando ao mundo masculino, o seu valor. Infelizmente os homens machos não aprenderam com Jesus, e mesmo na religião fundada em nome dele, a mulher foi frequentemente minimalizada em sua importância. 

Com a graça de Deus, através de mobilização, conscientização e muita luta, vocês encontraram seu lugar debaixo do sol. 

Tomara que vocês mulheres, prossigam o seu caminho, cientes de que nenhum sexismo procede de Deus, sabendo que Maria é a mais bela demonstração histórica de que Deus não pretere nenhum gênero e que seu amor é absolutamente igualitário. 

Tomara que vocês prossigam seu caminho fazendo jus ao senso de maternidade do qual decorre sua sensibilidade peculiar, sua capacidade de acolher, sua percepção acurada, sua intuição, seu instinto de preservação, seu altruísmo e sua dadivosidade. 

Tomara que vocês não percam sua essência, masculinizando-se nesta competição imbecilizada proposta pela insegurança masculina, que não se dá conta de que em vocês, mulheres, nos enriquecemos como seres humanos.

Tomara que vocês recusem sempre o papel de objeto ornamental proposto pelo ideal macho de beleza, que tiraniza o mundo feminino, estabelecendo padrões estéticos e atrelando a eles a condição de felicidade. 

Tomara que vocês rejeitem veementemente a condição de objeto sexual e não se permitam prostituir. Tomara que vocês se entreguem tão somente as relações cuja fundamentação seja o amor recíproco. 

Tomara que não se tornem reféns da própria carência de modo a negociar o afeto. 

Tomara que insistam em olhar o mundo de modo harmonioso. Tomara que repudiem esse padrão masculino departamentalizado. 

O mundo dos amigos, amigos, negócios a parte. O mundo dos papeis não sincronizados. O mundo de Maquiavel em que se opta pelo poder em detrimento do amor. 

Tomara que em função de vocês, ao conquistarem posições de liderança, o mundo possa viver dias melhores. Tomara que vocês promovam uma revolução, não a dos homens machos, mas a doce revolução do amor.
Feliz dia internacional da mulher.

Robson Soares 

quinta-feira, 1 de março de 2018

A LUZ DO TEU CORPO...


A luz do corpo está no olhar.

Quando os teus olhos olharem com olhos do bem, o que verás será bom, e, assim, todo o teu ser será luminoso.

Mas quando os teus olhos enxergarem com os olhos da maldade, todo o teu ser se tornará tenebroso.

Então, cuida para que o teu olhar, que te foi dado para ser luz, não se transforme em gerador de trevas.

Pois se o que foi feito para iluminar o ser, tornar-se o oposto; então, aquilo que te seria luz, te será escuridão maior que as próprias trevas.

Terás te tornado duplamente cego: já não verás o próximo, e nem verás a ti mesmo; pois, cego estarás para enxergar com verdade que o que vês fora, nada mais é que aquilo que não vês dentro de ti mesmo.

Sim! que grandes trevas serão as tuas!

Portanto, vê como tu olhas todas as coisas.

As coisas são somente as coisas.

Mas é do coração que nasce a tua luz.

Portanto, não te tornes em fonte de trevas para ti mesmo, permitindo que aquilo que em ti foi feito para ser tua fonte de luz, exista como negação de seu chamado original: os olhos são para ver, não para imprimir ou falsificar.

Se o permitires, tu jamais conhecerás limites para a tua própria escuridade.

A luz do ser vem dos desígnios de teu próprio coração!

Maus desígnios emanam luz-negra. Assim, vê-se a tudo com o olhar que projeta aquilo que o coração tem dentro de si mesmo.

Um olhar que decidiu ver o que é bom e com bondade, iluminará a si mesmo, e verá a tudo mais com a projeção do que é verdadeiro.

Assim, até o discernimento exterior daquilo que é mau, corresponderá à própria luz, pois tudo o que se manifesta como é e como tal, também é luz.

A luz chama de bem até aquilo que discerne como mau, pois vê com verdade aquilo à que tal coisa corresponde. E isso é bom.

Por isso, todas as coisas são puras para os puros, pois, os puros de coração são os que vêem as coisas como elas são, e não projetam nelas nenhuma falsificação: seja tentando fazer o bem ficar melhor; ou tentando fazer o mal ficar menor, ou mesmo pior.

O que ilumina o ser é a verdade, não a ignorância e nem a malícia.
A ignorância, subtrai da realidade.

A malícia, aumenta ou falsifica a realidade.

O ser que bem-vê a vida, carrega uma luz que é identificada tanto pelos homens—até os antagonistas—, como também pelo mundo espiritual.

É buscando sempre as melhores alternativas para as pessoas expressarem o que de melhor pode haver nelas, que construímos um caminho luminoso para nós e para os outros.

Por outro lado, é buscando encontrar o pior das pessoas, que construímos um caminho tenebroso para o nosso ser e uma vereda escabrosa para o próximo.

Então, dependendo do olhar...

Os homens podem até chamar-te de esperto, mas Deus pode estar apenas te chamando de maldoso.

Então, dependendo do olhar...

Deus pode estar te chamando de filho da luz, mesmo que os homens possam te julgar como a um idiota esperançoso pela obsessão de encontrar o melhor nas pessoas.

Então, dependendo do olhar...

Cada um que diga quem é!

Dize quem tu és mediante a expressão de um olhar ancorado na verdade, na realidade e no discernimento, mas nunca na malícia, no auto-engano e na tentativa de desconjuntar o ser de teu próximo, arruinando, assim, também a ti próprio.

Que os homens e os anjos vejam que tu sempre chegas e sais com o coração sem o olhar das trevas.

Olha sempre com o olhar da luz.

E assim, que grande luz emanará de teu ser!


Caio


Escrito em 4/4/03

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Três verdades sobre a Ceia do Senhor

Três verdades sobre a Ceia do Senhor

Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice,
vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. (1 Coríntios 11.26)

Durante a refeição no Cenáculo, Jesus tomou o pão e, partindo-o, deu-o aos discípulos, dizendo-lhes: “Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim” (Lc 22.19). Após a refeição, tomou o cálice de vinho e o deu a eles, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês” (Lc 22.20). Tais palavras e atos são plenos de significado, pois nos mostram a própria visão de Jesus em relação à sua morte.
Três verdades se destacam.
1.
A primeira é a centralidade de sua morte. Jesus estava dando instruções para o seu próprio culto memorial — eles deveriam comer pão e beber vinho “em sua memória”. Além do mais, o pão representaria não somente o corpo vivo de Jesus, como também o corpo dado em favor deles, enquanto o vinho representava o seu sangue derramado. Em outras palavras, ambos os elementos apontavam para a morte de Jesus. Era pela morte que ele desejava ser lembrado.
2.
A segunda verdade que aprendemos com a Ceia do Senhor diz respeito ao propósito da morte de Jesus. Conforme Mateus, o cálice representava “meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados” (Mt 26.28). Esta é a declaração verdadeiramente maravilhosa de que, através do sangue de Jesus, derramado em sua morte, Deus estabeleceria uma nova aliança (Jr 31), cuja maior das promessas era o perdão dos pecados.
3.
A terceira verdade ensinada pela Ceia do Senhor é concernente à nossa necessidade de nos apropriarmos de forma pessoal dos benefícios da morte de Jesus. No drama do cenáculo os discípulos não eram apenas espectadores, mas participantes. Jesus não somente partiu o pão, mas deu-lhes para que o comessem. Não somente derramou o vinho no cálice, como também o deu para que eles o bebessem. Da mesma forma, não bastou que Cristo morresse — temos de nos apossar das bênçãos de sua morte. O ato de “comer o pão e beber o vinho” foi, e ainda é, uma parábola viva do receber a Cristo como nosso Salvador crucificado e de nos alimentarmos dele em nosso coração mediante a fé.
A Santa Ceia, conforme instituída por Jesus, não foi uma declaração sentimental do tipo “não me esqueçam”. Antes, foi um drama com grande riqueza de significado espiritual.
Leia também: Jeremias 31.31-34
-Texto retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo, de John Stott.